2 de abril – Dia Mundial de Conscientização do Autismo é celebrado nesta quarta

No Brasil houve aumento expressivo nos diagnósticos. Especialista esclarece fatos importantes sobre o tema

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02 Abril, 2025

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2 de abril – Dia Mundial de Conscientização do Autismo é celebrado nesta quarta


Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado um aumento significativo nos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esse fenômeno é atribuído, em grande parte, ao maior acesso à informação e à conscientização sobre o autismo – que, a propósito, tem sua data mundial celebrada hoje, dia 02 de abril. Com a disseminação de conhecimentos por meio da internet e das redes sociais, mais pessoas passaram a reconhecer os sinais do TEA, levando a um número crescente de diagnósticos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas são autistas no mundo. Com esses dados, é cada vez mais necessário trazer visibilidade sobre o transtorno a fim de tornar a sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva. Mas você sabe, exatamente, do que se trata o TEA? Quem explica é a psicóloga e docente do Centro Universitário UniBH, Gisele Moraes Silveira Guilhermino:

“O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na comunicação, interação social e padrões de comportamento repetitivos e restritos. O termo "espectro" é utilizado porque o autismo pode se manifestar de diferentes formas e em diferentes graus de intensidade. Algumas pessoas podem ter dificuldades severas na comunicação verbal e na interação social, enquanto outras apresentam habilidades avançadas em áreas específicas, como matemática, música ou memorização”, detalha.

Nos Estados Unidos, a prevalência para o autismo é de 1 para 36, de acordo com dados do Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC). Já no Brasil, que ainda não conta com estatísticas próprias, estima-se que cerca de 6 milhões de pessoas são autistas.

Especialistas apontam que a ampliação dos critérios diagnósticos e a capacitação de profissionais de saúde também contribuem para esse cenário. A reformulação de manuais como o DSM-5 e o CID-11 tornou os critérios mais inclusivos, permitindo identificar casos antes não diagnosticados. A psicóloga destaca que "o que vemos de mudança, na verdade, é uma maior conscientização sobre o autismo, com a disseminação de mais informações tanto entre os profissionais da saúde quanto entre a população”.

Fatores ambientais durante a gestação também são estudados como possíveis influenciadores no aumento dos casos de autismo. Pesquisas indicam que elementos como infecções perinatais, prematuridade e asfixia podem afetar o neurodesenvolvimento fetal, elevando o risco de TEA. No entanto, é importante ressaltar que não há evidências científicas que relacionem vacinas ao desenvolvimento do autismo. A Organização Mundial da Saúde e a Anvisa afirmam que não existem provas de uma ligação entre imunizantes e o TEA.

O aumento nos diagnósticos tem gerado impactos significativos nos setores de saúde e educação. A crescente demanda por serviços especializados resultou na expansão de clínicas multidisciplinares voltadas ao atendimento de pacientes com TEA. Além disso, escolas têm buscado se adaptar para oferecer suporte adequado aos alunos diagnosticados, promovendo a inclusão e o desenvolvimento dessas crianças. 

Embora o número de diagnósticos de autismo esteja em ascensão, isso não necessariamente indica um aumento real na incidência do transtorno, mas sim uma maior capacidade de identificação e diagnóstico. Esse cenário reforça a importância de políticas públicas e investimentos contínuos em saúde e educação para atender às necessidades da população com TEA.

Fonte: Rede Comunicação/Foto – Banco de Imagens Freepik

Vanderlei Gontijo

vanderlei@patos1.com.br




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