Atendimento médico é questionado após óbito de recém-nascida no HRAD; veja na reportagem de Toninho Cury
O casal afirma que houve tentativa de transferência de responsabilidades, inclusive responsabilizando a mãe, a bebê e o hospital de origem.
A reportagem da Rádio Clube 98 esteve no bairro Vila Garcia, em Patos de Minas, onde conversou com o jovem casal Isadora e Gilberto, ambos de 18 anos, que vive um dos momentos mais dolorosos de suas vidas após a perda da filha recém-nascida, Jade. O caso ocorreu no último fim de semana no Hospital Regional Antônio Dias (HRAD) e levanta questionamentos sobre uma possível negligência no atendimento médico.
Segundo relato da mãe, Isadora foi encaminhada de ambulância durante a madrugada para o hospital, já em trabalho de parto e com uma gestação considerada de alto risco. Ao chegar à unidade, ela afirma que já apresentava seis centímetros de dilatação, evoluindo rapidamente para dez centímetros. Ainda na triagem, Isadora relata que ouviu os batimentos cardíacos da bebê e sentiu movimentos fetais, situação que, segundo ela, foi confirmada pela própria médica naquele momento.
No entanto, ao ser levada para a sala de pré-parto, a família foi informada de que os batimentos de Jade não estavam mais sendo encontrados. Isadora afirma que houve demora no atendimento e que profissionais estavam dormindo quando ela chegou ao hospital. Posteriormente, os pais receberam a informação de que a bebê já estaria sem vida e que, segundo médicos, o óbito poderia ter ocorrido ainda durante o deslocamento entre hospitais, versão contestada pela família.
O casal afirma que houve tentativa de transferência de responsabilidades, inclusive responsabilizando a mãe, a bebê e o hospital de origem. Para Isadora, a situação poderia ter sido evitada com mais agilidade no atendimento e com a realização de uma cesariana de emergência, já que ela havia tomado medicação para amadurecimento pulmonar da criança.
Além da perda da filha, a jovem mãe relata ter sofrido complicações após o parto, incluindo sangramento intenso, desmaios e queda de pressão. Segundo o relato, apesar de acionar o botão de emergência diversas vezes, não houve atendimento imediato, e Gilberto precisou prestar socorro sozinho. Ele também afirma que a esposa foi mantida isolada e que houve negligência no acompanhamento pós-parto.
Gilberto relata ainda que as versões apresentadas pela equipe médica mudaram ao longo do tempo, mencionando possíveis causas diferentes para a morte da criança, sem que exames conclusivos fossem realizados. Para ele, faltou empenho, transparência e humanidade no atendimento prestado.
Abalado, o casal afirma que buscará justiça. Apesar da dor irreparável, eles destacam o apoio das famílias e a fé como forças para seguir em frente. Isadora informou que está em acompanhamento psicológico para lidar com o luto.
Até o momento, o Hospital Regional Antônio Dias ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A reportagem segue acompanhando e aguarda posicionamento da unidade hospitalar.
Nota da Santa Casa de Misericórdia
A Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas, se posiciona por meio desta nota, primeiramente para se solidarizar com toda família e amigos, neste momento de profunda tristeza. A instituição informa que o quadro gestacional relatado tratava-se de gestação de alto risco.
A paciente compareceu por meios próprios até a Santa casa, onde recebeu pronto atendimento pela equipe de obstetrícia. Durante o atendimento foi diagnosticado trabalho de parto prematuro, auscultado batimentos cardíacos do feto, que no momento do atendimento nesta instituição estavam normais.
Conforme correto seguimento de fluxo e protocolos, a paciente foi encaminhada à referência de partos de alto risco, Hospital Regional Antônio Dias (HRAD), através de ambulância e acompanhada por profissional médico do Samu, após serem seguidos todos os protocolos médico-assistenciais. Salientamos que a referência de assistência foi seguida por nossa equipe e que todas as medidas para segurança do binômio mãe/filha foram atendidas nesta instituição.
Ressaltamos que a Santa Casa é a maternidade referência para partos de risco habitual e que este caso não se tratava de referência para esta instituição, apesar de ter recebido todo suporte cabível no momento. Foi garantido transporte em segurança e encaminhamento a referência de atendimento. Destacamos ainda que a Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas, preza imensamente pelas boas condutas médicas hospitalares, sempre pautadas pela humanização e integralidade ao cuidado ao paciente, com serviços 100% SUS com base em suas doutrinas e diretrizes.
Nota do Hospital Regional Antônio Dias (HRAD)
Fonte: Toninho Cury/Clube Notícia
