Atendimento médico é questionado após óbito de recém-nascida no HRAD; veja na reportagem de Toninho Cury

O casal afirma que houve tentativa de transferência de responsabilidades, inclusive responsabilizando a mãe, a bebê e o hospital de origem.

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20 Janeiro, 2026

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Atendimento médico é questionado após óbito de recém-nascida no HRAD; veja na reportagem de Toninho Cury


A reportagem da Rádio Clube 98 esteve no bairro Vila Garcia, em Patos de Minas, onde conversou com o jovem casal Isadora e Gilberto, ambos de 18 anos, que vive um dos momentos mais dolorosos de suas vidas após a perda da filha recém-nascida, Jade. O caso ocorreu no último fim de semana no Hospital Regional Antônio Dias (HRAD) e levanta questionamentos sobre uma possível negligência no atendimento médico.

Segundo relato da mãe, Isadora foi encaminhada de ambulância durante a madrugada para o hospital, já em trabalho de parto e com uma gestação considerada de alto risco. Ao chegar à unidade, ela afirma que já apresentava seis centímetros de dilatação, evoluindo rapidamente para dez centímetros. Ainda na triagem, Isadora relata que ouviu os batimentos cardíacos da bebê e sentiu movimentos fetais, situação que, segundo ela, foi confirmada pela própria médica naquele momento.

No entanto, ao ser levada para a sala de pré-parto, a família foi informada de que os batimentos de Jade não estavam mais sendo encontrados. Isadora afirma que houve demora no atendimento e que profissionais estavam dormindo quando ela chegou ao hospital. Posteriormente, os pais receberam a informação de que a bebê já estaria sem vida e que, segundo médicos, o óbito poderia ter ocorrido ainda durante o deslocamento entre hospitais, versão contestada pela família.

O casal afirma que houve tentativa de transferência de responsabilidades, inclusive responsabilizando a mãe, a bebê e o hospital de origem. Para Isadora, a situação poderia ter sido evitada com mais agilidade no atendimento e com a realização de uma cesariana de emergência, já que ela havia tomado medicação para amadurecimento pulmonar da criança.

Além da perda da filha, a jovem mãe relata ter sofrido complicações após o parto, incluindo sangramento intenso, desmaios e queda de pressão. Segundo o relato, apesar de acionar o botão de emergência diversas vezes, não houve atendimento imediato, e Gilberto precisou prestar socorro sozinho. Ele também afirma que a esposa foi mantida isolada e que houve negligência no acompanhamento pós-parto.

Gilberto relata ainda que as versões apresentadas pela equipe médica mudaram ao longo do tempo, mencionando possíveis causas diferentes para a morte da criança, sem que exames conclusivos fossem realizados. Para ele, faltou empenho, transparência e humanidade no atendimento prestado.

Abalado, o casal afirma que buscará justiça. Apesar da dor irreparável, eles destacam o apoio das famílias e a fé como forças para seguir em frente. Isadora informou que está em acompanhamento psicológico para lidar com o luto.

Até o momento, o Hospital Regional Antônio Dias ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A reportagem segue acompanhando e aguarda posicionamento da unidade hospitalar.

 

Nota da Santa Casa de Misericórdia

A Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas, se posiciona por meio desta nota, primeiramente para se solidarizar com toda família e amigos, neste momento de profunda tristeza. A instituição informa que o quadro gestacional relatado tratava-se de gestação de alto risco.

A paciente compareceu por meios próprios até a Santa casa, onde recebeu pronto atendimento pela equipe de obstetrícia. Durante o atendimento foi diagnosticado trabalho de parto prematuro, auscultado batimentos cardíacos do feto, que no momento do atendimento nesta instituição estavam normais.

Conforme correto seguimento de fluxo e protocolos, a paciente foi encaminhada à referência de partos de alto risco, Hospital Regional Antônio Dias (HRAD), através de ambulância e acompanhada por profissional médico do Samu, após serem seguidos todos os protocolos médico-assistenciais. Salientamos que a referência de assistência foi seguida por nossa equipe e que todas as medidas para segurança do binômio mãe/filha foram atendidas nesta instituição.

Ressaltamos que a Santa Casa é a maternidade referência para partos de risco habitual e que este caso não se tratava de referência para esta instituição, apesar de ter recebido todo suporte cabível no momento. Foi garantido transporte em segurança e encaminhamento a referência de atendimento. Destacamos ainda que a Santa Casa de Misericórdia de Patos de Minas, preza imensamente pelas boas condutas médicas hospitalares, sempre pautadas pela humanização e integralidade ao cuidado ao paciente, com serviços 100% SUS com base em suas doutrinas e diretrizes.

Nota do Hospital Regional Antônio Dias (HRAD)

“A Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia (FAEPU) e a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) lamentam profundamente a perda, se solidarizam com a paciente e seus familiares neste momento de dor e ressaltam que, durante todo o atendimento no Hospital Regional Antônio Dias (HRAD) foram prestados todo suporte clínico e acolhimento emocional à paciente e à família.
Em respeito ao sigilo do prontuário, à privacidade da paciente e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o hospital não divulga informações detalhadas, mas permanece à disposição da paciente e de seus familiares para esclarecimentos presencialmente.
Salientamos, ainda, que o Hospital Regional Antônio Dias é referência em gestação de alto risco para as microrregiões de Patos de Minas, João Pinheiro e São Gotardo, abrangendo mais de 20 municípios com o compromisso com a assistência qualificada, ética e humanizada”.

Fonte: Toninho Cury/Clube Notícia

Vanderlei Gontijo

vanderlei@patos1.com.br




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